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Conferencia- professor Flávio Bezerra Barros

Aconteceu no NAEA/UFPA a Conferência “A morte da Amazônia e sua sociobiodiversidade”, proferida pelo professor Dr. Flávio Bezerra Barros.                                                                      

            No Dia: 11/09/2013 às 15h00 no Auditório do NAEA/UFPA aconteceu à conferência: “A morte da Amazônia e sua sociobiodiversidade”, proferida pelo professor e etnobiólogo Dr. Flávio Bezerra Barros, do Núcleo de Ciências Agrárias e Desenvolvimento Rural e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia do IFCH. Este evento deu continuidade ao Ciclo de Conferências UNAMAZ/NAEA/UFPA que esta sendo realizado de 15/15 dias e ira até outubro deste ano, para debater os impactos causados por projetos hidrelétricos na Amazônia.


            Flávio Bezerra Barros – professor e pesquisador da UFPA - Área de formação e  atuação: Bioantropologia. Cursos que ministra - Patrimônio Biocultural na Amazônia e Etnozoologia. Projetos de Pesquisa - “Projeto Belo Monte”: Alternativa de Desenvolvimento ou Risco Socioambiental para a Amazônia? O Protagonismo da Juventude Altamirense. Contatos: flaviobb@ufpa.br- Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4706140805254262,

            O professor iniciou sua fala enfatizando que se continuar a construção de Barragens,  haverá a morte da Amazônia e sua sociobiodiversidade, e o impacto é maior na cidade de Altamira, onde fica cada vez mais difícil a sobrevivência humana, frente ao custo de vida elevado, após o começo da construção das Barragens. Durante as pesquisas feitas na região para embasar seus estudos, ele percebeu que existe uma estreita relação entre biodiversidade/homem/animais e tudo isso será destruído pelo projeto de construção de Belo Monte. Em seu estudo antropológico percebeu a estreiteza das relações entre homem/animal/floresta quando caçadores lhe relataram que pra se tornarem bons caçadores tem que observar e aprender com os olhos das cobras que jamais erram um ataque a uma presa.

            Em relação às formas de vida e produção local questionam como poderão sobreviver após a inundação das barragens, pois é lá que conhecem tudo da região como, por exemplo, onde estão os melhores peixes, caças e os locais de coletas de animais, e através da zooterapia e fototerapia cuidam de suas doenças retirando os remédios para se tratar com animais e plantas locais tais como: sapos, raízes, sementes, cobras como a sucuriju, banha de anta, bico do mutum que fazem chá para mordida de cobra, usam esses recursos em doenças como acidente vascular cerebral, etc.

            O pesquisador fez um relato sobre os povos do Xingu e sobre os Kaiapos que conhecem toda sua historia e que esta vem passando de geração a geração e sabem dizer  toda sua árvore genealógica. Ele catalogou mais de 50 tipos de sapos e entre eles uma espécie muito rara que vive na copa das arvores bem altas, que não vem ao chão e fabrica um breu que cura cefaleia e pneumonia, disse que os sapos são bioindicadores de sanidade do local. ...Sapo é o nome comum utilizado para designar todos os anfíbios anuros (sapos, rãs e pererecas). Esses animais têm diferentes representações e utilidades na vida e no cotidiano de muitas populações humanas em toda a Terra. E fez esse trabalho com o objetivo de discutir sobre as diversas relações estabelecidas entre os anuros e os seres humanos, buscando uma reflexão acerca da importância que esses vertebrados apresentam na vida de todos os outros seres vivos que compõem o complexo sistema biosfera.

                       Disse que os seres humanos devem aprender que todos os outros seres vivos do Planeta têm sua devida importância e razão de existir, pois nenhum organismo vivo existe sem função. Precisamos, portanto, conviver melhor com os outros animais e incentivar nos diferentes espaços a prática da Educação Ambiental voltada para o conhecimento das espécies da fauna do Brasil. Só assim estaremos de fato ajudando a proteger a biodiversidade brasileira e planetária. Muitos animais como serpentes, sapos, formigas, lagartos, morcegos, roedores, entre tantos outros, são culturalmente vistos como animais perigosos, que causam mal. Esse modo de pensar está presente em muitas comunidades tradicionais, bem como no pensar de sujeitos urbanos, da cidade. Por falta de um conhecimento mais aprofundado ou pela ausência de uma formação de melhor qualidade de professores e educadores da escola de ensino básico, esses “conceitos errôneos” (ou preconceitos) são ensinados dentro das escolas, nas salas de aulas Brasil afora.

            Nesse caso, a discussão sempre está voltada para a questão da nocividade que os animais não-humanos representam para os animais humanos. Diante disso, nunca refletimos de modo inverso, ou seja, os seres humanos sendo nocivos para os outros animais. Seríamos, a partir desse horizonte, animais nocivos? Afinal de contas somos “nós” que alteramos de forma destrutiva os ecossistemas da Terra. Destruímos florestas, produzimos lixo em alta escala, poluímos rios e mares, jogamos poluentes diversos na atmosfera, traficamos animais e plantas, alterando, portanto, a dinâmica da biosfera. É importante frisar, porém, que essas formas de destruição são praticadas por algumas populações/sociedades e por outras, não. Também os ambientes se modificam a partir de fatores naturais (vento, chuva, estiagem, intempéries diversas, etc.) e, consequentemente, todos os componentes vivos e relações que se inserem neles. Portanto, agora, talvez caiba a reflexão: o conceito de nocividade pode ser aplicado para os seres humanos em relação aos outros animais? Eles (os homens e as mulheres) causam dano, prejudicam? O conceito de “nocivo” tem validade apenas quando se trata de animais não humanos que causam prejuízos para os animais-humanos? Por isso o pesquisador considera um crime retirar o nativo de seu lugar.

 

Entre outros projetos ele atua no Projeto Belo Monte”: Alternativa de Desenvolvimento ou Risco Socioambiental para a Amazônia? O Protagonismo da Juventude Altamirense. Cuja descrição é a seguinte:

            Em tempos recentes o governo brasileiro anunciou a implantação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte na Bacia do Xingu, no Pará. Há mais de duas décadas esse empreendimento tem sido questionado por diversas entidades da sociedade civil e comunidade científica, sobretudo no que diz respeito a sua viabilidade e os possíveis impactos negativos que sua construção trará para as comunidades locais (agricultores familiares, pescadores, indígenas, ribeirinhos, etc.) e para a biodiversidade amazônica. O que se sabe é que desde o pronunciamento da obra pelo Estado brasileiro, a cidade de Altamira vem rapidamente mudando sua dinâmica espacial, socioeconômica e ambiental, e de repente tudo parece girar em torno de uma única ideia: Belo Monte. Não obstante, alguns movimentos de resistência ao empreendimento continuam com o mesmo vigor de décadas atrás, alimentados pela esperança da não concretização de tal iniciativa. Neste contexto, o projeto objetiva estimular, por meio do diálogo entre Universidade e a sociedade, a participação ativa da juventude altamirense em torno do tema Belo Monte com vistas a proporcionar um maior protagonismo dessa parte da sociedade.

            Pela complexidade do tema, o projeto vem sendo conduzido a partir de uma perspectiva sistêmica e interdisciplinar, com o envolvimento de profissionais de diversas áreas do conhecimento de diferentes unidades e subunidades da UFPA. Os procedimentos metodológicos estão embasados a partir de uma abordagem participativa e dialógica, com aplicação de questionários, realização de seminários integrados e intercâmbios entre as escolas. Tais metodologias visam alcançar não apenas os objetivos da proposta, mas, sobretudo, experimentar do ponto de vista metodológico a interação entre Universidade e a sociedade plural. Como resultados, espera-se:

a) uma maior sensibilização e participação social dos jovens no que diz respeito ao projeto Belo Monte e seus possíveis impactos produzidos na região; b) maior engajamento e aproximação entre Universidade e a sociedade numa perspectiva dialógica, proporcionando a troca de conhecimentos entre os diversos atores envolvidos direta ou indiretamente nesta proposta; c) jovens sensibilizados acerca do espírito de cidadania e de responsabilidade socioambiental, que se traduz principalmente no exercício pleno de seus deveres e na cobrança de seus direitos enquanto cidadãos, entendendo que todos têm direito a um meio ambiente equilibrado.

Coordenador: Flávio Bezerra Barros – Financiamento: UFPA-PROEX

Estudo-Diagnóstico da Realidade da Educação Escolar nas Reservas Extrativistas do Mosaico de Conservação da Terra do Meio (TdM) – Pará - Em maio último aconteceu mais uma reunião de trabalhos da Rede TdM, no Campus da Universidade Federal do Pará, em Altamira. O referido evento contou com a ampla participação de diversos atores e instituições que atuam direta ou indiretamente na região. Dentre os diversos assuntos da reunião, a educação se constituiu como um eixo relevante de discussão, frente ao processo de educação escolar que já se iniciou no contexto local. Sendo a Universidade Federal do Pará uma das instituições participantes da Rede TdM, e em face do seu reconhecido mérito em experiências com processos de escolarização para populações diferenciadas e pesquisas no contexto da Educação do Campo, ficou decidido, após ampla discussão, que a UFPA coordenaria (em parceria/articulação com as demais instituições que atuam nesta temática) os processos de desenvolvimento da educação escolar nas Reservas Extrativistas Riozinho do Anfrísio, Rio Iriri e Rio Xingu. Neste contexto, é importante destacar que as ações de educação formal na região tiveram início a partir de 2008, não existindo ainda um Projeto Político-Pedagógico instituído e que leve em consideração, como recomendam tanto a LDB como as Diretrizes Operacionais da Educação do Campo, as especificidades dos sujeitos educativos locais. Com efeito, o presente documento tem como objetivo apresentar uma proposta de estudo-diagnóstico acerca da realidade da educação escolar no contexto das Reservas Extrativistas da TdM. Tal diagnóstico decerto irá subsidiar um conhecimento mais aprofundado da realidade local, para, num segundo momento, e em parceria com um coletivo de instituições, darmos início à elaboração de um Programa de Educação diferenciada que possa atender aos anseios da comunidade.

Coordenação: Professores Flávio B. Barros, Raquel Lopes, Francilene Parente e Alcione Meneses (UFPA) – Colaboração: ICMBio, FVPP e UFPA.

Serviços:

Algumas Publicações do professor Flavio Bezerra Barros:

            BARROS, F. B.; Pereira, Henrique M.; Vicente, Luís . Use and knowledge of the razor-billed curassow Pauxi tuberosa (Spix, 1825) (Galliformes, Cracidae) by a riverine community of the oriental amazonia, brazil. Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine, v. 7, p. 1, 2011.

            BARROS, F. B. . Sociabilidade, Cultura e Biodiversidade na Beira de Abaetetuba no Pará. Ciências Sociais Unisinos, v. 45, p. 152-161, 2009.

            BARROS, F. B. ; Zeidemann, V. "Escolas (in) sustentáveis, sociedades (in) sustentáveis": sobre os rumos da educação na Terra do Meio-Pará-Brasil. Textos do NEAF, v. 18, p. 1-23, 2009.

            BARROS, F. B. . Abram as portas. Precisamos entrar.... Cadernos de Educação (UFPel), v. 33, p. 301-309, 2009.  

Texto: Cristina Pinheiro – Coordenadoria de Comunicação e Difusão Cientifica/  CCDC/NAEA/UFPA - Endereço: Av. Perimetral, Numero 01 - Guamá, Belém - PA, Brasil - Código Postal: 66075-750 - Belém-PA - Telefone 3201-8521 - E-mail: comunicacao_naea@ufpa.br;  comunicação.naea@gmail.com  -  Site do NAEA: http://www.ufpa.br/naea/novosite/index.php

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