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Edição da Novos Cadernos Naea já disponível gratuitamente

Nova edição da Revista Novos Cadernos Naea.

Este número de Novos Cadernos Naea, disponível aqui, encerra mais um ano de atividades, contribui assim ao debate nacional que se impõe, atualmente, de forma seminal, marcado por tensões políticas, avanço de um pensamento conservador que solapa, em várias direções e simultaneamente, um certo padrão de solidariedade construído duramente por gerações anteriores e atuais, de regulamentos de direitos sociais, da natureza, bem como sobre os limites e os deveres de uma vida social que não pode se pautar na desigualdade social, na exclusão e na manutenção sem limites dos benefícios de elites que erigiram, para si, a distância do contrato social, e republicanos, e, por isso, do sentido profundo de cidadania e democracia.

Efetivamente, um campo do direito vem sendo construído desde as últimas décadas do século passado, ampliando-o para abrigar os processos de mudança, da sociedade à economia e à natureza, e as novas demandas sobre a diferença, a heterogeneidade, a auto-identidade e a liberdade de ser sujeito. Nessa linha de pensar o campo político do direito, na relação coma sociedade, a economia e a natureza, apontamos para uma literatura crítica considerável produzida sobre a implantação de empreendimentos minerais no Brasil, decididos e construídos de forma autoritária, de costas para as dinâmicas sociais, econômicas e culturais das regiões onde se instalam e distantes do debate sobre outras opções possíveis no campo do desenvolvimento nacional, regional. Não sem razão, as narrativas dos movimentos sociais sobre os empreendimentos de energia e de mineração, estão associadas à tensão que emerge com sua chegada, devido disputas por territórios e recursos.

Práticas coloniais observadas, igualmente, nos estudos sobre os grandes projetos de energia, notadamente Hidrelétricas e Plantas Aeólicas, associadas aos grandes projetos de mineração, de capital nacional/internacional, a exemplo dos estudos referidos a sua expansão. O artigo The logic of the valorization of natural resources in Brazil historical relationship between the electricity sector and the mining industry in the Amazon ao procurar analisar a relação entre o setor elétrico e o setor mineral na Amazônia brasileira, considera que esta região possui uma lógica econômica específica que aparece nessa relação entre o setor elétrico e o setor mineral.

A demonstração empírica pode ajudar a montar uma cartografia desses processos a partir do olhar de atores diversos - locais, nacionais e internacionais - envolvidos em criar um campo de experimentação do desenvolvimento regional a partir do olhar de baixo, da experiência localizada. Antonio Teixeira de Barros no artigo Interfaces dos saberes ambientais: complexidade e educação política difusa analisa as interfaces dos saberes ecológicos com a educação ambiental e política, ambas entendidas como educação difusa que se realiza no âmbito das relações sociais e educativas do cotidiano. Considera relevante a conversação civil e a cidadania, numa perspectiva interdisciplinar. Em outro artigo sobre a relação sociedade, economia e ambiente, na perspectiva antropolóogica, Menezes e Bruno examinam as discussões sobre mudanças climáticas perguntando se elas não estariam influenciando práticas de povos e comunidades tradicionais em Tis e UCs, tendo como foco os efeitos sociais das políticas públicas e a incorporação da temática das mudanças climáticas nas agendas dos movimentos sociais. A desigualdade também vista pela dimensão de gênero é contemplada neste número da revista.

No artigo Representação descritiva comprometida com o desenvolvimento das mulheres, a autora informa ser reduzida a discussão sobre a representação descritiva comprometida com causas feministas. Procura demonstrar, teoricamente, que ela pode ser um instrumento para se pensar parâmetros da representação no cenário político brasileiro. A partir dos projetos de colonização e de desenvolvimento regional, Roberto Santos cartografa os impactos territoriais de empreendimentos desenhados no espaço urbano de Araguaina, estado do Tocantins. Ainda sobre a crise urbana e a desigualdade no Brasil, Pires e Aguilar Calegare apontam resultados de pesquisa sobre a habitação de interesse social no Brasil, as políticas habitacionais e a questão social, tendo como espaço empírico a cidade de Manaus. Outra perspectiva, a da observação sobre processos industriais, no México, e a composição de empresas de gestão ambiental, nas áreas urbanas, o artigo - Analysis of industry based on resources and institutions. National Desazolves case - identifica a dinâmica da gestão de resíduos, e examina a empresa National Desazolves, as instituições formais, e as regras limitantes de poluição ambiental. Vários artigos tratam de temas relevantes no campo da agricultura familiar e da participação política. Chaves e Silva arrolam processos de invisibilidade no Ceará frente ao reconhecimento de certas comunidades quilombolas.

Disputas territoriais são ressaltadas na expansão da dendeicultura, decorrente de Programas Nacionais que propugnavam a associação entre agricultura familiar e empreendimento intensivos de dendê, e, com dados de pesquisas recentes, os autores trazem os resultados da expansão da referida associação na dendeicultura. Mais voltado a pensar a produção familiar, na relação com práticas que mostraram eficácia entre grupos tradicionais, e a agricultura de corte e queima, Karyne Rego e Kato analisam formas de uso do solo baseadas nos princípios agroecológicos, e identificam novas formas de cultivo mais sustentáveis. Na direção de pensar os usos sociais e econômicos da terra, centrando na reflexão sobre as mudanças socioambientais, Maristela Silva, Francisco Oliveira e Antônio Cordeiro Santana tratam dos sistemas produtivos e a adoção de atividades variadas na composição da renda do grupo analisado, e das mudanças socioambientais. O artigo de Brasil, Arrolho e Simão analisa a educação ambiental com base na teoria de sistemas socioecológicos complexos e na experimentação metodológica para subsidiar e identificar a efetividade da prática exponencial na formação profissional. Este número de NCNAEA traz duas resenhas, sendo a primeira sobre o festejado livro de Ana Pizarro, Amazônia - as vozes do rio: imaginário e modernização, de autoria de Cesar Mauricio de Abreu Mello, Juliana Azevedo Hamoy e Leonard Grala Barbosa. A segunda, sobre a publicação de Clóvis Cavalcanti intitulada Pensamento socioambiental e a economia ecológica: nova perspectiva para pensar a sociedade, feita por Anna Paula Santos Paiva.

Edna Ramos de Castro Editora da Revista

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