Escolha o Idioma:        

Professor Flávio Gomes (UFRJ)

Camponeses, migrações e escravidão em pauta no Naea.

Na manhã da última quarta-feira, dia 24 de agosto de 2016, às 09h, ocorreu no auditório do Naea a palestra Escravidão e no Pós-Abolição (1870-1940), com o professor Dr. Flávio dos Santos Gomes, mestre e doutor em História Social (1997), pela (Unicamp). 

Trajetória - O pesquisador inicialmente falou a respeito de sua trajetória. “Estou nesse caminho na UFRJ desde 1998, mas eu aprendi a ser professor e fazer pesquisa etnográfica e muita pesquisa em arquivo, exatamente da minha experiência como professor da Federal do Pará, vim pra cá em 1994, interessante é que nesse momento as universidades tinham autonomias e recursos (...) Cada universidade tinha bons mecanismos de pagar e contratar professores visitantes”.  

Em sua palestra, Flávio relembrou de fatos importantes. “Em 1994 teve uma estratégia acadêmica muito interessante do departamento de História, os professores saíam para se qualificar, uma estratégia que deu certo que era atrair e chamar professores que já tivessem doutorado concluído para se candidatarem a professores visitantes (...)  Eu cheguei aqui em 94, eu fui o primeiro desse novo grupo de experiência”. E também nessa mesma época o professor Flávio já fazia pesquisa com mocambos e quilombos. Como professor da UFPA em Abaetetuba, ainda no sistema de interiorização, foram importantes a leitura de livros de autores como Vicente Sales, Naísa Virgulino   Rosa Acevedo e Edna Castro.

Cabanagem - Em sua palestra dialogou em relação a maior comunidade quilombola que conheceu no Pará intitulada “Umarizal no Baiao", em frente ao município de Mocajuba, com 800 habitantes”. Ainda nesse  sentido, Flávio debateu um pouco sobre essa experiência camponesa, no caso do Pará, a Cabanagem, citando a pesquisadora Claudia Fuller. Outros fatores dialogados pelo professor estão relacionados aos quilombos históricos. O mesmo relata: “fala-se hoje de cinco mil comunidades em todo Brasil”. Para o pesquisador, do ponto de vista da gestão, “havia, na postura municipal desde o século XIX, muita proibição, quase como mecanismo permanente de proibição do horário e fechamento de tabernas (...) Uma pessoas dizia que era comum se chegar na feira do Ver-o-Peso  produtos agrícolas fugindo da fiscalização(...), se hoje não se dá conta, imagina no século XIX,  o documento é incrível e há o relato das maneiras de burlar a fiscalização, o barco chegando no interior do quilombola assobios eram usados como estratégias". O prof. Flávio também abordou sobre as certificações das comunidades de quilombos e a questão da criação de associações de moradores. 

 

Texto e foto: Lenne Carvalho

Endereço: Av. Perimetral, Número 1 - Guamá, Belém - PA, Brasil Código Postal: 66075-750 55(91) 3201-7231