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Feminismo e política em debate no Naea

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Feminismo e política em debate no Naea

No último dia 01 de agosto, segunda-feira, no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará- Naea/UFPA, foi realizado minicurso sobre "Feminismo e Política", com a ministrante e pesquisadora Rayza Sarmento, jornalista paraense, doutoranda e mestra em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (DCP/UFMG). O evento teve seis horas de duração e o alvo da discussão foram mulheres vinculadas à universidade com interesse em discutir as relações entre feminismo e política e em transformar este estudo em ações efetivas na vida das mulheres. O minicurso foi organizado pelo Naea.

Para Rayza, enquanto mulheres não ocuparem espaço na política será muito difícil mudar algo. A pesquisadora ressaltou a importância da inserção de mulheres na política para mudanças na vida de todas as outras. "Não ter mulheres na política é muito ruim para a democracia, uma democracia sem mulheres é uma democracia sem uma das pernas. No Brasil, onde as mulheres são a metade da população brasileira, nós não temos nem 10% delas no congresso nacional, e isso é um déficit democrático. Inserir mulheres na política é dizer que nós podemos ser o que quisermos, inclusive políticas, inclusive Presidenta da República. Isso dá novas experiências para essa política, não dizendo que mulheres são melhores que os homens ou que elas vão moralizar a política, longe disso, mas é trazer as mulheres para esse mundo no qual elas foram excluídas historicamente. É importante moralmente, e é importante para a história que mais mulheres vejam mulheres em postos de poder e decisão".

Rayza Sarmento quando perguntada sobre de qual forma se podem introduzir nessa onda feminista e política as mulheres que não ocupam a academia, comentou. "É fundamental que o feminismo hoje ocupe as redes virtuais, mas isso não pode ser o fim. A inclusão de mulheres de classes sociais menos favorecidas, periféricas, ribeirinhas, tem que ser um propósito do feminismo, e não é só incluir, não é trazê-las para uma fórmula pronta, é descobrir com elas o que é ser mulher e o que é ser feminista na Amazônia, pois elas possuem experiências que nós desconhecemos principalmente no mundo do trabalho doméstico, não é só incluir, é também ir conversar e descobrir quais são essas experiências. Então, promover espaços de conversação política sem a carga acadêmica, processos de informação são fundamentais e é também um pilar da própria universidade. A universidade quando é ensino, pesquisa e extensão, as discussões de gênero podem ser um projeto de extensão muito bacana, para estender literalmente mesmo, mas ainda é uma agenda difícil e para nós muito desafiador".

 

Texto: Laura Costa

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