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Casa de farinha típica da região amazônica

Qualidade da farinha de mandioca na Amazônia paraense.

A farinha de mandioca é um alimento que está presente na mesa da maioria das famílias paraenses. Nas grandes feiras e comércios da cidade de Belém podemos encontrar esse produto em diversos preços e classificação (farinha grossa, média ou fina).

Logo, compreender o processo de qualidade da farinha, segundo os agricultores e comerciantes, toda influência gerada tanto na produção, assim como na característica da mesma são os aspectos abordados no texto “A construção social da qualidade da farinha de mandioca em comunidades rurais na Amazônia paraense”, de autoria do Prof. Marc Piraux e Fagner Sousa, disponibilizado no banco da revista Novos Cadernos NAEA – Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, da UFPA. Leia o texto completo.

Inicialmente a pesquisa aborda as especificidades do mercado agroalimentar, a produção dos alimentos tradicionais também nomeados de “produtos da terra”, como afirma Cruz (2009) os alimentos desenvolvidos em uma determinada cultura e que são economicamente sustentáveis.  

Além disso, busca-se identificar os sistemas de produção locais, os métodos, a comercialização da farinha nas localidades pertencentes ao território do Baixo Tocantins: Baratinha, no município de Mocajuba e Nova Paz em Tailândia, logo detectando que são os sujeitos envolvidos nesse processo.

Metodologia - Para entender essa realidade os autores aplicaram como metodologia questionários semiestruturados, entrevistas e a observação participante. Outro ponto bastante significativo do trabalho está na diferença de produção da farinha nas comunidades pesquisadas, onde envolve elementos sociais e culturais no “fazer farinha”.

Aliado a isso, está o cultivo de variedades de mandiocas brancas em Baratinha, sendo a opção favorita entre os agricultores e também nos mercados de Mocajuba e Areião. E em Nova Paz a “mandioca branca” é predileta entre os agricultores, no entanto no comércio de Tailândia preferem a farinha elaborada da mandioca amarela.

Portanto, para obtenção de uma farinha boa, ou melhor, dizendo de “qualidade” nas comunidades de Baratinha e Nova Paz os agricultores observam vários fatores como: o tipo de mandioca a ser plantada, o cultivo, o solo e o trato culturais visando o controle de pragas na plantação da mandioca.

Nesse contexto, os agricultores das comunidades estudadas são unânimes em falar da importância das etapas de produção de uma farinha de qualidade, e destaca a “torração” o ponto essencial desse processo. Além disso, um torrador segundo a agricultora BR01,“tem que fazer duas coisas no mesmo tempo, olhando o fogo e mexendo, se não tomar cuidado com o forno a farinha queima e não torra, embola. (...) tem que controlar a quantidade do fogo, se ficar muito quente ela coze, demora muito a sair”

Além desses questionamentos acima levantados o texto discorre sobre a questão da adequação das casas de farinha ao formato agroindustrial na atualidade, estabelecendo assim o fortalecimento de praticas significativas na fabricação desse produto. Por fim, compreende-se a necessidade de mais pesquisas voltadas para identificação dos agricultores como sujeitos sociais no sentido de valorização de seus saberes para o desenvolvimento de alimentos de qualidade, também a construção de políticas públicas que incentivem na fabricação tradicional de alimentos.

Texto: Lene Carvalho

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