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Conferência dá inicio ao VII ENABED

Conferência sobre corrida aos recursos da África dá inicio ao VII ENABED 

Pesquisadores, estudantes, militares, autoridades e representantes das Forças Armadas se reuniram na tarde do último domingo, dia 4 de agosto, no Hotel Crowne Plaza em Belém para a abertura do VII Encontro Nacional da Associação Brasileira de Estudos da Defesa – ENABED. A Cerimônia teve início com a execução do Hino Nacional e com as palavras do presidente da Associação Brasileira de Estudos de Defesa – ABED, Manuel Domingos Neto.

“Com a realização de seu VII Encontro Nacional, a ABED mais uma vez oferece oportunidade para a exposição e o intercâmbio da produção acadêmica voltada para o estudo das Forças Armadas, das políticas de Defesa e do amplo leque de estudos correlatos”, disse o presidente, ao dar boas vindas aos participantes do evento.

O ENABED traz para a discussão a “Defesa da Amazônia”, pretendendo elucidar os caminhos para que a região seja menos suscetível as motivações geopolíticas. Para Manuel Domingos este tema tem grande importância para o debate teórico-conceitual dos estudos de defesa. “A temática central do Encontro, a Defesa da Amazônia, cresce em importância no cenário internacional eivado de tensões e disputas pelas riquezas naturais. Esta é uma oportunidade de avaliar o estado da arte das pesquisas e reflexões sobre a defesa desta legendária região.”

Para o Professor Dr. Fabio Carlos da Silva, Coordenador do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos – NAEA, uma das entidades realizadoras do evento, iniciativas como as da ABED devem ser valorizadas pelo seu caráter de proposição de políticas. ”Quando Armando Mendes, um dos fundadores do NAEA, idealizou o nosso Núcleo, ele pensou não só em um espaço de produção e discussão acadêmica mas também um espaço de proposição de políticas públicas e eu vejo que a ABED tenta trabalhar também desta forma”, explica.

Experiência Africana  – Um dos momentos mais aguardados foi a Conferência sobre a corrida aos recursos da África, proferida pela pesquisadora do Instituto Superior de Relações Internacionais de Maputo, em Moçambique, Iraê Baptista Lundin. Ela contou um pouco da luta que o continente vem travado para salvaguardar suas fronteiras e seus recursos naturais em face da pressão internacional, sobretudo no atual contexto de crise na Europa.

“Temos uma relação muito difícil com os países europeus pelo histórico de colonização que os passamos. A relação com os Americanos também não é muito boa. Nós queremos investidores sim, agora é preciso que cada um chegue dentro de uma norma para que os benefícios sejam para ambas as partes”, avalia.

Por outro lado Iraê Baptista conta que a relação dos países africanos com os países dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) é bem mais aberta, sobretudo com o Brasil, que tem grandes afinidades culturais com o continente. No entanto, ela ressalta que a forma como tem atuado algumas empresas brasileiras em Moçambique tem gerado preocupação.

“Já temos alguma experiência negativa como a desapropriação de terra pela Companhia Vale, que deu para população casas que não tinham nenhuma sustentabilidade, não pagou termos que devia pagar, então já há uma experiência negativa que faz com que a população comece a ficar desconfiada”, explica.

Um dos meios pelos quais os países africanos têm buscado garantir a soberania e a integridade territorial do continente é por meio da União Africana, órgão que conta hoje com 54 membros, e que foi criado para combater o colonialismo e o Apartheid (regime de segregação racial na África do Sul). Para Iraê Baptista estes são objetivos já alcançados e por isso a experiência da União Africana pode ser considerada exitosa, mas hoje há grandes desafios a superar.

“No início o objetivo era independência dos países e o fim do Apartheid, hoje o objetivo é a independência econômica. Penso que hoje a União Africana tenha que ser mais auto-suficiente, ou seja, não pode receber muito dinheiro da Europa. Todos os esforços tem que se direcionar para que possamos ter a capacidade de, nós  mesmos, resolvermos nossos problemas.”

 

Wanderson Curcino – CCDC /NAEA/UFPA

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