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O debate sobre conjuntura política lotou o auditório do Naea.

Violência, manipulação midiática e ilegalidade foram alguns dos temas

abordados no debate promovido pelo Naea.

"A instalação do medo como regra de interação social". Foi com este alerta que a profa. Nírvea Ravena abriu a mesa de debate Conjuntura Política em Questão e Ameaça à Democracia, realizado na manhã desta quinta-feita, 31 de março, no auditório Armando Mendes, no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos. De acordo com a profa. Ravena, as redes de interesses que relacionam parlamentares e segmentos à margem do interesse público como o narcotráfico precisam ser pautadas nas discussões. "A ausência de ideologia está se fundando no elemento do medo. Observamos a relação de alguns setores do Parlamento junto ao narcotráfico. Esse é um ator que não está sendo interpretado como ator-chave e como não é identificado, por isso mesmo não se pode debatido". E o impeachment abre espaço para o empoderamento desse ator". Além da profa. Nírvea, fizeram parte da mesa de debates os professores Silvio Figueiredo, Durbens Nascimentos e Sérgio Rivero (PPGE/ICSA) e as professoras Oriana Almeida e Edna Castro.

Questões - O prof. Sérgio Rivero alertou para esse momento de tensão e de ameaça da ruptura da ordem democrática e sua relação com  renascimento do totalitarismo no mundo. "Neste momento a universidade pode contribuir para apontar alguns caminhos". Além da discussão sobre a construção da identidade das elites brasileiras, a profa. Edna Castro abordou o assunto do ódio que está muito mais visível nesse momento de tensões sociais e políticas. "O Brasil mostrou sua cara, o país é racistas, homofóbico e desigual". Já  o prof. Drubens NAscimento, diretor do Naea, ressaltou a necessidade de ampliar o debate, "fica aqui a indicação da continuidade dessa discussão como forma de contribuir para aprofundar as questões aqui levantadas".

Ao final do evento, o prof. Silvio Figueiredo leu o manifesto dos professores, técnicos e estudantes presentes no encontro:

Manifesto  à comunidade acadêmica.

O Brasil atravessa  um dos  momentos mais delicados de sua recente história democrática.  O cenário político desde as eleições de 2014 tem mantido em permanente tensão forças e grupos de interesses diversos, nem sempre orientados pelo espírito republicano. Esse cenário tem contribuído para a instabilidade econômica e social, ao mesmo tempo em que coloca em risco o Estado Democrático de Direito no país.

A corrupção no Brasil precisa ser combatida em todas as esferas de poder e deve alcançar os culpados de qualquer origem partidária, mas deve ocorrer dentro do respeito às normas constitucionais. Assim, a Justiça deve se pautar pela isenção, pela autonomia e pela igualdade de tratamento a todos os envolvidos nas investigações em curso. E, acima de tudo, a Justiça não deve se deixar pautar pela ações de grupos políticos que neste momento engendram sepultar as conquistas democráticas brasileiras. O que está em xeque não é a defesa de um governo, mas a defesa do regime, a defesa intransigente da Democracia.

A comunidade do Naea não pode ficar passiva diante das inúmeras tentativas de golpe que ora se arquitetam no Brasil. Não há como se calar diante da forma como os grandes meios de comunicação têm reportado os acontecimentos e sobretudo, os vazamentos seletivos das investigações da Operação Lava-Jato. Não se pode aceitar a parcialidade com que segmentos do Judiciário tratam investigados, acusados e réus arrolados nas diversas ações que tramitam nas esferas desse Poder. E, sobretudo, não se pode silenciar diante dos artifícios que hoje pretendem enterrar o Estado Democrático de Direito no Brasil. É o momento se manifestar e repudiar veementemente esse conjunto de práticas nefastas.

 

 

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