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Pesquisadores e representantes de entidades discutiram o projeto de reforma

Dia de debates nos Naea sobre o projeto de reforma do Ver-o-Peso.

Na última quinta-feira, dia 17 de março, o projeto de Reforma do Ver-o-Peso foi tema de debates no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, da Universidade Federal do Pará (Naea/UFPA). A discurssão envolveu comunidade acadêmica, representantes de entidades, feirantes do Ver-o-Peso e pesquisadores do Núcleo. O evento foi articulado pela jornalista e aluna do doutorado do Naea, Brenda Taketa e pelos professores Sant-Clair Trindade e Silvio Figueiredo. Ainda no começo das discussões, José Freire, diretor da DPJ Arquitetura e Engenharia, empresa responsável pelo projeto, apresentou a proposta de reforma, o quadro da equipe técnica para a execução do projeto e o cronograma de execução da obra.

Para o Prof. Sant-Clair, o Ver-o-Peso tem vivências enraizadas, costumes peculiares e o projeto deve levar isto em consideração. "Não se pode pensar o Ver-o-Peso sem pensar na comunicação que ele tem com o povo e com o ambiente, a ideia de feira não pode se perder na forma, ela possui elementos próprios e não pode perder sua simbologia". O Prof. Saint-Clair também frisou a importância do debate num processo de intervenções urbanas. "Tratar planejamento como algo político é considerar todos os sujeitos, absolutamente". Uma das organizadoras do evento, a jornalista Brenda Taketa, falou um pouco sobre a importância de trazer o debate para dentro da comunidade acadêmica. "O debate vai ao encontro da necessidade que se tem em fazer com que a sociedade civil participe dessa discussão, demandando transparência no projeto, melhorando a qualidade democrática do debate e do processo político. A contribuição dos pesquisadores é apresentar pareceres multidisciplinares em relação ao projeto que envolve o interesse de toda sociedade e que não pode ser percebido só do ponto de vista arquitetônico, mas também do ponto de vista sociológico, econômico e antropológico".

Feira - O representante da Associação dos Feirantes – Manoel Rendeiro, também citou diversas vezes a importância do debate dentro da Universidade Federal do Pará (UFPA), agradecendo a oportunidade de discutir o projeto juntamente com a sociedade civil.  Manoel Rendeiro destacou as principais reivindicações dos feirantes e ressaltou que estes não são contra a reforma do Ver-o-Peso, reconhecem que a feira precisa de reparação mas possuem ressalvas para que isto aconteça. "Nossas principais reivindicações são que este projeto inclua a Pedra do Peixe, Feira do Açaí, a agricultura familiar, e o Porto que atende às famílias ribeirinhas, não queremos uma reforma que fere nossa cultura, nossas tradições e que destrua nossas raízes. Nós feirantes do Ver-o-Peso somos interligados, vendedores do hortifrúti dependem da Pedra do Peixe, assim como a Pedra do Peixe depende da Feira do Açaí, é por isso que nós chamamos de "Complexo do Ver-o-Peso". O feirante finalizou expressando a satisfação pela realização do debate. "Hoje nós estamos satisfeitos de estar debatendo essa questão dentro da universidade, aqui os pesquisadores podem nos ajudar expondo o impacto que esse projeto causa".

Iphan -  A Superintendente do Iphan no Pará - Maria Dorótea de Lima, esteve ativa na discussão e relatou sobre a proposta inicial da prefeitura, que era apenas a restauração da cobertura, e ressaltou que é preciso equilibrar muitas questões. "Não podemos deixar de lembrar que o espaço da feira é relevante e uma das condições expostas é que a cultura seja mantida e para isso precisa-se de estrutura. O grande desafio é a proposta trazer uma solução permanente mas que não faça com que a feira perca sua característica". O Iphan é o órgão federal responsável por coordenar as políticas de patrimônio do país e possui parceria com a prefeitura que é gestora do patrimônio, no caso, o Mercado do Ver-o-Peso, a fim de reguardar a proteção, a promoção e a preservação da identidade do local.

Texto: Ana Laura

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